Quanto mais pensava naquilo,
quanto mais apetecia investigar um modo de trazer algo que fosse da culinária
chinesa para casa com o que dispusesse de recursos alimentícios. Para suprir os
anseios provindos da já gorda curiosidade por um dumpling e sua massa básica à
base do que se optou por trigo e a mistura pronta para tapioca, aqui transcrevo a
receita para a feitura aberta deste prato que se tem o hábito de dobrar feito
pastel. Partindo de uma breve adaptação ovolactovegetariana, não restou alternativas
no momento senão a seguinte composição de recheio (com base em uma outra, assim
como a pasta):
* carne de soja texturizada;
* metade de um repolho cozido;
* meia colher de vinho branco e meia colher de
vinagre;
* uma colher de chá de sal;
* tempero em pó pronto;
* pimenta do reino moída em pitadas;
* uma colher e meia de óleo de oliva;
* meia colher de alcaparra picada com a água que a
acompanha no pote original (pode-se substituir por azeitona, mas a sugestão do
princípio é a que cai melhor);
Massa para uma
unidade:
* metade de um copo de trigo;
* metade da metade de um copo de massa de tapioca;
* um pouco de água;
* pouco sal.
Os
ingredientes do recheio são simplesmente misturados. Procede-se do mesmo modo
com a pasta, partindo primeiramente da mistura do trigo com a fécula de mandioca
e o sal, acrescentando a água aos poucos. Liga-se o fogo quando já houver a massa
pegajosa que se forma, adicionando a ela o recheio à base de repolho já
mencionado. Depois, vira-se o que foi formado na frigideira ou panela para dar
consistência a ambos os lados do dumpling, que poderá ser servido com molhos
como o de soja ou molho de alho. Uma confissão: o recheio em si sem a papa ficou tão apetitoso que deu para fazer sanduíche dele
ou apenas servir junto do arroz. Nhamy!
“Em meio ao frio congelante que
chegou subitamente para os desavisados e apresentou-se sem rodeios diante da
vaga ciência dos conhecedores das previsões meteorológicas, houve um
determinado experimento na cozinha que rendeu um sabor agradável. Gostaria de
até compartilhar a receita.”
“Dispensou as luvas de lã para se
aventurar a isso? Não acredito.”
“Oh, meu caro, há quem sequer
tenha paredes ao redor de si pra se proteger do frio. As luvas eram de menos
naquele momento, sob esse aspecto. Gostaria que visse uma coisa.”
A coisa:
“Estou vendo. De que bonsai você
retirou isto?”
“Olhe como os brócolis têm uma
aparência arbórea! Olhe como é visualmente uma obra de arte da natureza! Olhe,
olhe!”
“Own, já vi, já vi.”
“Cabeça de repolho...”
“Me xingando agora? Desde quando
isso?”
“Uma... Ah! Estava pensando alto.
Deixe-me dizê-lo sem rodeios e solilóquios, ahn!?
Para esta receita, cozem-se repolho e brócolis, de
preferência em vapor. Faz-se com pouco sal. Não há necessidade de muito, pois o
molho por si já saboriza bem. Para o molho que será adicionado a essa salada
encorpada, considera-se esta receita aqui, com pequena alteração. Ou melhor, vamos
reproduzi-la mais abaixo com a dada mudança, sim? Lembrando que renderá, em
média, três porções.
Ingredientes: 100g de creme de leite, 50g de queijo ralado, ½ cebola
picada, 2 dentes de alho, ½ tablete ou ½ sachê em pó de caldo de legumes, ½
colher de manteiga ou margarina, 1 copo de leite, ½ colher de trigo e uma
pitada de pimenta do reino moída.
A cebola e os dentes de alho “amassados” são refogados em manteiga, a
que se acrescenta depois o caldo de legumes e a pitada de pimenta do reino. Quando
a cebola já estiver um tanto transparente, adicionamos ao molho o creme de
leite, mexendo sempre a mistura. O trigo é dissolvido no leite numa vasilha à
parte e o líquido com essa dissolução toda é, em seguida, adicionado ao molho
que, quando já fervente, recebe o toque derradeiro do queijo ralado.”
“Hum, sim, percebo que de uma
cabeça de repolho e um bonsai de brócolis pode ser que saia algo apetitoso.”
Já teve aquele pensamento “nossa,
queria ter mais tempo para cozinhar” ou “há tanto que fazer, cozinhar pra quê?”
ou, já com a mão na massa, “puxa, tinha que estar lendo aquele livro agora” ou
“isso não poderia ser meio que adiado para a semana que vem ou talvez para o
próximo ano?” Essas ideações tão possíveis de acontecerem passaram por minha
cabeça. No entanto, havia algo de subversivo em cozinhar ao pensar naquela
empada desmanchando na boca ou pequenos prazeres proibidos em uma rotina tão
diligentemente seguida, prazeres que, por vezes, vem açucarados e que são provenientes
do produto final lá na panela. Há que se descobrir um novo sabor eventualmente.
E
há que cortar cebolas rápido. Oh! Sim e tem uma imagem quanto a isso que vem
bem nítida à mente:
É do filme Julie & Julia, uma
produção toda adornada sobre os fatos reais nos quais se baseia e muito legal
de se ver. Naquela cena, Julia estava praticando em casa após ser desafiada no
curso de culinária, onde disseram que ela não era capaz de produzir montinhos
de cebola tão rápido quanto deveria. Agora veja a reação do marido dela: ele
cobre os olhos. Será que os gases liberados pelo trabalho duro de Julia já
chegaram aos olhos de Paul? Não é nada raro chorar enquanto cebola é descascada,
quando processos químicos até então adormecidos são desencadeados até que, em
contato com os olhos, irritam-nos.
Hoje, pela
primeira vez na vida toda desde que conheci o descasque e corte de cebolas,
consegui cortar uma mais rápido. Movia a cebola, enquanto a faca ficava naquela
posição mecânica de sobe e desce que se observam os chefs fazendo nesses filmes
ou programas na arte culinária. Confesso que senti certo orgulho, enquanto as
lágrimas brotavam do fundo da irritação das células de meus olhos. Certamente,
como disse um amigo certo dia, cortando-as embaixo d’água, não se irritam as
células. Bem, já era tarde demais.
Antes que me
esqueça, há uma forma bem prática para picar cebolas mostrada neste vídeo que
está em inglês, mas se não for a sua praia, as imagens orientam por si. Tentei
em casa e funcionou. (iei!)
E, ora pois,
vamos mudar de óleo para açúcar com três modos de preparo rápido de doces
gostosinhos. Aprendi o primeiro com a Genilda de São Bernardo do
Campo e não há muito que dizer a respeito, a não ser: “é de açaí, aliás uma boa fonte de energia. Por favor, observe o preparo no
vídeo mais à frente no post”.
Para o segundo
doce, você precisará de "goma de mandioca", utilizando os termos corretos segundo informações daqui para o que eu chamaria com a maior naturalidade de massa para tapioca
normalmente. E precisará também de leite condensado.
A goma é feita à base de fécula de
mandioca e água. Fécula, palavra que coloquialmente pode ser substituída por amido ou polvilho, segundo o dicionário
Michaelis e meio que a Maristela.
Os passos são mostrados no vídeo. Também não há muito que
dizer a respeito nesse momento sobre a feitura, exceto que se deve espalhar a
"massa" na frigideira, deixar cada lado esquentando conforme o indicado na
embalagem (se passar um tanto do tempo, o resultado será uma tapioca
crocantíssima e em igual medida duríssima; se deixar para menos, fica muito
molinha) e – importante! – se for fazer uma segunda, terceira, quarta, quinta
tapioca na mesma frigideira, espere que esta esfrie um pouco entre uma e outra,
pois será mais difícil espalhar a "goma" em uma frigideira muito quente, já
que, desta forma, a massa já insiste em começar a se formar antes do tempo. A
Química explica.
O terceiro doce,
eu o chamo de ‘mingau de chocolate’,
porque tem um gosto parecido com o de mingau por causa do amido de milho - inclusive
adiciono-o um tanto à mais que a receita original para ficar grossinho e ainda
mais semelhante ao dito cujo. Para uma porção, considere:
· um copo de leite;
·uma colher ou uma colher e meia de amido de
milho (quanto mais amido, mais grosso);
·60 gramas (ou metade da metade de um copo) de
chocolate em pó;
·muito pouco açúcar (o pó de chocolate já adoça
um tanto, então não exageremos).
Primeiro,
todos os ingredientes são misturados na panela ainda longe dos efeitos caloríferos
de um fogão aceso. Só então, dica da Receita Original, só então liga-se o fogo
na mais alta temperatura para depois baixar quando começar a ferver. Vá sempre
mexendo com a colher, diz a Receita Original.
Houve há muito
muito tempo aqui um post sobre amido, mas daquele que se
referia ao trigo ou quíçá à mandioca. Mas, sim, aqui vem à tona um outro tipo
que é o de milho. Curiosamente, se fizer uma pesquisa nos mecanismos de busca,
irá ver uma associação dele à Maizena, primeiro a marca, mas mais curioso ainda
é encontrar maisena no dicionário, por exemplo. Sim, passou a existir no vernáculo também, só que com "s". Há um interessante artigo aqui a respeito disso e desse alimento produzido
artesanalmente por índios e próprio da culinária indígena que foi apreciado ao
longo do tempo até para passar certos tipos de roupas.
Em tempo, há amido de milho de
outras marcas, embora Maizena tenha sido popularizada. Inclusive, a que utilizei
recentemente é de outra.